O ano era 2015. Carli Lloyd entrou na Copa do Mundo Feminina da FIFA com sede de redenção. Prata em 2011? Não é bom o suficiente. O USWNT não ganhava o ouro há dezesseis anos. O peso daquela seca pesou sobre a equipe como um objeto físico.

Lloyd achou que ela estava pronta. Ela era capitã. Condição física máxima. Armadura mental polida. Mas no Canadá, vencer não parecia certo.

“O peso de querer tanto isso… paralisou a todos nós”, disse ela à Women’s Health. O barulho externo era alto, mas o silêncio interno era pior. Ela estava presa em sua cabeça. Sem confiança. Apenas um ciclo de pensamentos negativos. Um lugar profundo e escuro.

Então o universo interveio. Cartões amarelos. Lauren Cheney e Megan Rapinoe suspensas nas quartas de final. Lloyd teve que seguir em frente. Mais perto do gol. Isso combinava com ela. Redefiniu tudo. Ela marcou em todos os jogos restantes. Terminou com um hat-trick lendário contra o Japão. Ela não apenas venceu. Ela sobreviveu à pressão aprendendo a abandoná-la.

“Há momentos, há pressão… você tem que aguentar tudo.”

Avanço rápido de cinco anos. Não há mais futebol. Não há mais panela de pressão. Agora há Harper, sua filha de vinte meses. E mais um bebê a caminho. Data de vencimento em setembro. Lloyd agora é analista de estúdio da FOX, cobrindo a Copa do Mundo masculina. O jogo mudou, mas as lições permanecem.

O Robô Desmascarado

Durante dezessete anos, Carli Lloyd foi um fantasma à vista de todos. Duas vezes Jogador do Ano. Hall da Fama vinculado. Mas a pessoa que os fãs viram? Essa não era ela. Na verdade. Ela manteve o jogo falando. Manteve-se fora.

“Eu era muito robótica”, ela admite. Ela brincava com o rosto fechado. Sempre com a mentalidade de escritório. Moagem. Sempre tentando ser o melhor. Ela teve escolha? Ela duvida disso. A sobrevivência exigia essa armadura.

Seus ex-companheiros de equipe entendem. Todos construíram conchas para sobreviver à intensidade. Carli acabou de construir um mais grosso. Ela se sentiu incompreendida. Isolada em seu próprio sucesso.

Foi preciso aposentadoria. Foi preciso infertilidade. Vários ciclos de fertilização in vitro com seu marido Brian. Uma batalha sem vitória garantida. Somente quando ela segurou a promessa de um filho nos braços é que a casca se quebrou. Ela escreveu tudo. Compartilhou a jornada da infertilidade inexplicável em um ensaio sobre Saúde da Mulher. Anunciou a gravidez ao mundo.

Ela poderia ter ficado quieta. Privacidade era sua marca. Mas a vida é curta demais para esconder suas maiores vitórias. E além disso.

“O peso do mundo está fora de mim.”

Ela sabe que seria uma mãe diferente se tivesse começado mais cedo. Em 2015? Impossível. Observar colegas de equipe trazendo crianças para o ônibus? Ela viu a exaustão. Os fusos horários. A falta de sono. Agora ela respeita as mães. Realmente os respeita.

“Todo o seu ser sai do controle e não é sobre você.”

O caos é normal

A vida na FOX Sports também não é tranquila. Ela estava bombeando leite no set durante o Campeonato Europeu Feminino de 2023, enquanto Harper esperava fora das câmeras. Uma grande mensagem para as mães que equilibram os empregos. É um trabalho que nunca acaba. Mas também é o melhor trabalho que existe.

A mudança principal? Ela não se leva tão a sério. Há liberdade nisso. Não há necessidade de proteger todos os ângulos. Não há necessidade de provar seu valor no ar a cada trinta segundos.

Bagunçar na câmera? Qualquer que seja. Eles estão falando sobre futebol. Não é uma cirurgia cerebral. Isso está muito longe da mulher que tratava cada passagem como se sua vida dependesse disso.

Grandes atletas se adaptam. Eles invertem o roteiro quando o ímpeto muda. Lloyd está em sua segunda gravidez durante este ciclo de transmissão. As costas doem. Ajustes no guarda-roupa. Dias longos. As coisas mudam na hora. Você rola com isso. Ou você não sobrevive.

Agora é natural. Porque a TV é caótica. A vida da mãe é caótica. Você não resolve o choro do bebê perguntando por que ele não está dormindo. Você apenas reage. Intuição. Tentativa e erro.

Cobrir a Copa do Mundo novamente traz os fantasmas de volta. Mas agora ela os conhece como alguém que seguiu em frente. Ela está no momento agora. Muito mais do que ela era enquanto subia ao topo do esporte. É refrescante.

Libertador, realmente. O fim não é um ponto final. Apenas uma mudança na velocidade. E talvez esteja tudo bem. 🎒⚽