A relação entre o consumo de álcool e o desempenho atlético está se tornando um ponto focal para muitos entusiastas do fitness. Um número crescente de indivíduos, desde corredores amadores a maratonistas de elite, está a reavaliar a forma como o álcool se enquadra nos seus regimes de treino. Dados recentes mostram uma mudança notável: o consumo de álcool nos Estados Unidos caiu para o seu ponto mais baixo em 90 anos, com 54% dos adultos a declarar que bebem, em agosto de 2025. Simultaneamente, o mercado de bebidas não alcoólicas está em expansão, registando um crescimento de +22% ano após ano e atingindo 925 milhões de dólares em vendas. Esta tendência não é acidental; atletas e praticantes de exercícios diários estão começando a associar o álcool à diminuição da recuperação, dos níveis de energia e do desempenho geral.

A ciência por trás da ressaca e do seu treino

O álcool não contribui para a produção de energia, mas interfere nos principais processos de recuperação. Quando você bebe, seu corpo prioriza o metabolismo do álcool em vez da reparação do tecido muscular e da reidratação. Isso leva ao atraso na hidratação, prejudicando a capacidade do seu corpo de se adaptar ao estresse do treinamento de forma eficaz. O álcool também suprime a produção de hormônios vitais para o crescimento muscular e prejudica a qualidade do sono. Embora uma bebida possa ajudá-lo a adormecer mais rapidamente, ela perturba fases mais profundas e reparadoras do sono, deixando-o menos recuperado para o próximo treino.

O impacto é especialmente pronunciado para as mulheres, com o consumo de álcool a diminuir 11 pontos percentuais desde 2023. Esta mudança provavelmente reflecte a crescente consciência dos efeitos do álcool nos objectivos de saúde e fitness das mulheres, incluindo riscos aumentados de doenças hepáticas, cancro da mama, declínio cognitivo e doenças cardíacas.

O movimento “Sober Curious” e seu impacto

A tendência para a redução do consumo de álcool alinha-se com o movimento dos “curiosos sóbrios”, que promove o consumo consciente em vez da abstinência total. Especialistas como a Dra. Katie Witkiewitz, da Universidade do Novo México, enfatizam que qualquer redução no consumo de álcool pode ser benéfica. Ao reduzir, os indivíduos muitas vezes experimentam um sono melhor, níveis de energia mais elevados e uma melhor função física geral, permitindo-lhes treinar de forma mais eficaz.

Muitos atletas estão descobrindo que eliminar o álcool, mesmo por curtos períodos, produz melhorias mensuráveis. Uma corredora, Sarah MacKay Robinson, parou de beber depois de perceber como se sentiu de ressaca após se classificar para as seletivas da maratona olímpica. Essa constatação a levou a eliminar totalmente o álcool, liberando espaço mental e melhorando sua recuperação.

Passos práticos para reduzir a ingestão de álcool

Se você está pensando em reduzir o consumo de álcool, os especialistas recomendam uma abordagem sistemática:

  1. Acompanhe suas bebidas: Use aplicativos como “I Am Sober” ou um diário simples para monitorar sua ingestão durante um mês.
  2. Identifique goles cortáveis: Determine quais bebidas você pode razoavelmente eliminar. Considere limitar o álcool aos fins de semana ou optar por uma taça de vinho em vez de duas.
  3. Planeje com antecedência: Se você tiver um evento em que consumirá álcool, ajuste sua ingestão para o resto da semana para compensar.

A terapeuta Rachel Gersten sugere que muitas pessoas subestimam a frequência com que o álcool aparece em suas rotinas diárias. A conscientização é o primeiro passo para fazer mudanças intencionais.

Encontrando um equilíbrio que funcione para você

A abordagem ideal varia de acordo com cada indivíduo. Alguns atletas, como o triatleta Ironman Stevie Lyn Smith, reduziram drasticamente a ingestão de álcool, notando melhorias imediatas na variabilidade da frequência cardíaca (VFC) e na recuperação geral. Outros, como a maratonista Lindsay Riess, ainda podem se permitir uma bebida antes da corrida para controlar a ansiedade.

Em última análise, o objetivo não é necessariamente a abstinência total, mas o consumo intencional. Como apontam os especialistas, mesmo pequenas reduções na ingestão de álcool podem impactar positivamente o desempenho e o bem-estar. A chave é encontrar um equilíbrio que se alinhe com seus objetivos de condicionamento físico e estilo de vida.

O atleta moderno entende que a recuperação não envolve apenas nutrição e sono; trata-se de minimizar obstáculos. O álcool, embora socialmente aceitável, muitas vezes representa um obstáculo significativo ao desempenho físico ideal.